Eu usei pato, mas com frango, marreco, peru ou faizão também deve dar certo. Praticamente qualquer ave, deixemos pardais e araras-azuis de lado por questões técnicas. A idéia é algo prático, prometo que você também vai achar.Pegue o penoso de seu agrado ou disponibilidade devidamente morto, limpo e feito em pedaços, e faça vários furos com a ponta de uma faca. Pique fininho ou (preferencialmente) esprema alho a gosto; eu seria tendencioso se recomendasse usar muito. Besunte a carne com o alho e salpique um tanto de sal, um pouquinho de vinho branco pra dar um sabor diferente. Deixe de lado e parta para o lado vegetal da brincadeira.
Batatas, cenouras, tomates, cebolas e pimentões, salsinha e cebolinha que nunca é demais. Quanto? O quanto combinar com a quantidade de ave disponível. Por exemplo, para duas coxas generosas e três picotes equivalentes, usei 5 batatas médios, 5 tomates idem, três cenouras médias, cebola e meia grande, dois pimentões vermelhos pequenos, meio maço de salsinha e um de cebolinha. Se gostar mais de uma coisa e menos de outra, ajuste à vontade ou até mesmo a suprima. Vale até adicionar algo.
Além de obviamente lavar tudo em água corrente, algumas preparações básicas para cada um a seguir.
Batatas: descasque (sem depenar a coitada, por favor, que são tempos de Fome Zero) e corte em pedaços médios. O mesmo com as cenoura, lembrando que basta raspar uma faca sem serra para retirar a roupa delas.
Tomates: corte em pedaços. Só isso. Quase igual ao pimentão, do qual alguns vão querer tirar as sementes.
Cebolas: esqueça da super dica de picar a cebola, aqui queremos rodelas. Tire a casca e corte de lado, descartando as extremidades extremas. Nunca é demais dizer que rodelar uma cebola sempre é mais agradável fazê-lo com a tábua sob uma torneira aberta de leve.
Acho que não preciso dizer que salsinha e cebolinha são usados picados. Não há muito o que inventar.
A esta altura, no máximo meia hora depois se você não for muito mocorongo picando tudo, a carne já vai ter pego o tempero e é hora de botar tudo na panela. De pressão, de preferência, que vai agilizar todo o processo. Ave no fundo, tomate, pimentão, cebola, salsinha e cebolinha, um pouquinho de óleo. Se quiser, junte também a batata e a cenoura, mas eu acho melhor deixar pra mais tarde, já explico o porquê. Junte uns três copos d'água pra dar liga. Uma colher de chá de açucar corta bem a acidez do tomate, recomendo. Acenda o fogo, mas não tampe ainda a panela. Esta eu explico agora: você vai precisar mexer um pouco depois que levantar fervura, não ia querer comer tudo estratificado, né?
Espere ferver por uns 5 minutos e mexa tudo com uma colher de pau ou qualquer outro material. Adicione umas duas colheres de sobremesa de sal, mais se for do seu agrado. Lembre-se de que a batata e a cenoura vão absorver boa parte do sal, então deixe sempre um pouco mais salgadinho do que o normal. Aliás, por onde andariam nossas amigas batatas e cenouras? Esperando pela vez de dar um mergulho, oras! Depois de mais uns 5 minutos fervendo e outra mexida vigorosa, junte as tubérculas e, claro, mexa tudo de novo. Agora sim é hora de tampar a panela e passar à etapa de pressão.
Fogo alto, meia hora e... ué, tá pronto! Coloque a panela debaixo da torneira aberta até esfriar bem, abra e mexa. Prove o sal e corrija se necessário (torça para não precisar corrigir pra menos, porque açúcar tem efeito limitado). Se tiver muita água pro seu gosto, basta deixar ferver até secar. Agora só falta saborear. Arroz branco, feijão de qualquer cor e o que mais estiver por perto.
A descrição é mais longa e enrolada do que a comida, juro. Mexa aqui e ali, tire e bote, faça como quiser. Temperos e ingredientes podem ser alterados a bel prazer, experimente. Bom pra brincar de improviso na cozinha.
Publicado em 30 de abril de 2003 às 01:09 por guilherme